Ocupação nas escolas



Em qualquer sociedade avançada a escola é o princípio e a razão onde se fundamentam os alicerces de desenvolvimento da nação. Não existe país de economia forte que não tenha investido em educação de qualidade para o seu povo. Pegando como exemplo as últimas cinco décadas, veremos que todos os países que se desenvolveram de forma sustentável e estrutural, como os tigres asiáticos ou até mesmo o vizinho Chile, investiram muito em educação.

 

O Brasil acordou tardiamente para esse tema e fizemos pouco ou quase nada em toda história da educação no país.  Tanto que adentramos de forma triste e melancólica o século 21 com mais da metade da população sem concluir o ensino médio e, conseqüentemente, sem acesso a uma universidade.

 

O debate só esquentou quando os negros começaram a reivindicar as cotas nas universidades e parte da elite branca e acadêmica, com medo de ver o “seu espaço” invadido por pretos e pobres, passou a utilizar vários argumentos contrários a essa forma de inclusão. A justificativa principal era de que antes de falar sobre cotas, precisávamos melhorar o ensino público. Como se uma coisa inviabilizasse a outra.

 

Certa vez, em uma viagem ao exterior, ouvi elogios de uma alta autoridade de um país europeu sobre a luta dos negros brasileiros pelas cotas nas universidades. Ele dizia: “Feliz do país que tem seus jovens lutando por um direito que a rigor deveria ser uma obrigação do Estado. Em meu país existe um grande número de jovens que se suicidam por falta de razão para viver e aqui o estudo é garantido até a universidade”.

 

Hoje, ao ver estudantes ocupando escolas públicas (e as ruas) em São Paulo tentando impedir o fechamento de mais de 90 escolas, por conta de uma “racionalidade maior na educação paulista”, penso que racionalidade está em não fechar escolas e sim melhorá-las, pois se isso já tivesse ocorrido, com certeza estaríamos em outro patamar de desenvolvimento econômico, social e principalmente político.